Como muitos devem saber, eu tenho uma atração natural por jornalismo policial, o que me leva a buscar sempre novidades nesse ramo! O jornal que eu encontrei essas peculiaridades se chama "O Saquá", tendo até o site www.osaqua.com.br , onde depois, todos poderão confirmar o que eu digo.
O Saquá tem uma editoria, ou parte, chamada "Plantão de Polícia", escrita pelo jornalista AG Marinho. Imagine só o que deve ser descrito nos textos do "Plantão de Polícia", desgraça? sim, claro! Páginas policiais só tem morte ou situações "trevas". O que torna os textos atrativos não são os fatos, mas sim, como eles são descritos. Já que não temos como fugir das desgraças, nada melhor que bom humor, transformando a história em uma piada de humor sórdido.
De verdade não sei se todas as situações, ou se de fato alguma, são verdadeiras, pois são muito cinematográficas. O Jornalista AG Marinho, cria narrativas para situações simples, transformando-as em espetáculo. Sendo o mais cauteloso possível, digo que, no mínimo, Marinho tem talento para escrever Romances.
Vou colocar na íntegra um dos textos de Marinho da edição de dezembro do "O Saquá".
Escrito por: AG Marinho (Jornal "O Saquá"), edição de Dezembro de 2009
Manoela ou Manolo
Manoela, 24 anos, esposa de Cândido, o Candinho, de 32, residentes em Vilatur, arranjou uma namorada e esbravejou na varanda da birosca que o macho da casa era ela. Candinho, todo afagoso e lenganhento, disse que isso ia passar e que eles voltariam a ser como antigamente, mas Manoela que já tinha tomado um litrão de chá de cipó cabeludo, estava criando barba e queria ser chamada de Manolo, expulsou o marido de casa e levou duas garotas pra morar no cafofo.
Meio macumbeiro, Candinho arriou um despacho de bode preto, sem cabeça, no portão da residência e conjurou Satã no fandango da vingança. A rua estava cheia quando Manoela, ou melhor, Manolo e as namoradas, desterraram Cândido na porrada. Durante o desbabacamento voou, pra todo o lado, vela roxa de sete dias, farofa, um samburá de jamelão do cemitério, pedaços da coleção de LPs de Jackson do Pandeiro e Almira, e o que restou da estátua de gesso do capeta que, durante o barraco, virou pau de cacete. Até o Exu da mãe de Candinho entrou na porrada.
O que até hoje ninguém sabe foi de onde saiu à bala que atravessou o umbigo de Manoela e saiu na bunda. A vítima já chegou morta no Posto de Emergência e a perícia garantiu que foram 2 tiros de calibre 45.
Tenho certeza que alguém, ou todos vocês, gargalharam, por isso colocarei mais 1 dele!
O corno do apagão
Erivelton, 25 anos, caseiro jardineiro macho, trabalhava de sunga e sem camisa mostrando o tanquinho sarado e cheio de curvas. Rogéria, a patroa, de 39 anos, doidinha pra futucar a jardineira, aproveitou o apagão mostrou e pediu ao caseiro pra dar uma roçada no gramadinho, mas foi flagrada exatamente no momento em que Erivelton se preparava para engatar o cabo do roçador na tomada. Com uma lanterna gigante na mão, Felipe, 40 anos, residente em Jaconé, marido traído inconformado, iluminou a sacanagem e saiu lanternando os dois na porrada. "Veltinho" chegou no posto de emergência com o saco da hérnia todo esbagaçadoe um profundo corte no lado esquerdo da bunda, adquirido quando voou, no escuro, por sobre uma cerca de arame farpado. Rogéria, toda roxa, lanhada e arregaçada, deu entrada no hospital com a orelha direita decepada e pendurada no brinco. Felipe, preso por dupla agressão, vai responder o processo em liberdade.
Juro que achei essas histórias muito engraçadas, deve ser a convivência com o "estilo" de vida do carioca, que já está acostumado com essas situações e até passa a achar graça.