terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Jornalismo de Interior

Eu dei mais uma de minhas "saídas" perdidas pelo interior, do Rio de Janeiro. O Destino desta vez foi Saquarema, cidade que já conheço de longa data, onde inclusive tive um de meus carnavais mais loucos. Voltando para o assunto do post, Jornalismo de Interior, a dúvida logo aparece, o que será o Jornalismo de Interior? Se essa definição existir, "cagada", pois eu criei esse nome para exemplificar um jornalismo mais solto, sem as cobranças e normas tão chatas quanto na capital.

Como muitos devem saber, eu tenho uma atração natural por jornalismo policial, o que me leva a buscar sempre novidades nesse ramo! O jornal que eu encontrei essas peculiaridades se chama "O Saquá", tendo até o site www.osaqua.com.br , onde depois, todos poderão confirmar o que eu digo.

O Saquá tem uma editoria, ou parte, chamada "Plantão de Polícia", escrita pelo jornalista AG Marinho. Imagine só o que deve ser descrito nos textos do "Plantão de Polícia", desgraça? sim, claro! Páginas policiais só tem morte ou situações "trevas". O que torna os textos atrativos não são os fatos, mas sim, como eles são descritos. Já que não temos como fugir das desgraças, nada melhor que bom humor, transformando a história em uma piada de humor sórdido.

De verdade não sei se todas as situações, ou se de fato alguma, são verdadeiras, pois são muito cinematográficas. O Jornalista AG Marinho, cria narrativas para situações simples, transformando-as em espetáculo. Sendo o mais cauteloso possível, digo que, no mínimo, Marinho tem talento para escrever Romances.

Vou colocar na íntegra um dos textos de Marinho da edição de dezembro do "O Saquá".


Escrito por: AG Marinho (Jornal "O Saquá"), edição de Dezembro de 2009

Manoela ou Manolo

Manoela, 24 anos, esposa de Cândido, o Candinho, de 32, residentes em Vilatur, arranjou uma namorada e esbravejou na varanda da birosca que o macho da casa era ela. Candinho, todo afagoso e lenganhento, disse que isso ia passar e que eles voltariam a ser como antigamente, mas Manoela que já tinha tomado um litrão de chá de cipó cabeludo, estava criando barba e queria ser chamada de Manolo, expulsou o marido de casa e levou duas garotas pra morar no cafofo.
Meio macumbeiro, Candinho arriou um despacho de bode preto, sem cabeça, no portão da residência e conjurou Satã no fandango da vingança. A rua estava cheia quando Manoela, ou melhor, Manolo e as namoradas, desterraram Cândido na porrada. Durante o desbabacamento voou, pra todo o lado, vela roxa de sete dias, farofa, um samburá de jamelão do cemitério, pedaços da coleção de LPs de Jackson do Pandeiro e Almira, e o que restou da estátua de gesso do capeta que, durante o barraco, virou pau de cacete. Até o Exu da mãe de Candinho entrou na porrada.
O que até hoje ninguém sabe foi de onde saiu à bala que atravessou o umbigo de Manoela e saiu na bunda. A vítima já chegou morta no Posto de Emergência e a perícia garantiu que foram 2 tiros de calibre 45.

Tenho certeza que alguém, ou todos vocês, gargalharam, por isso colocarei mais 1 dele!


O corno do apagão
Erivelton, 25 anos, caseiro jardineiro macho, trabalhava de sunga e sem camisa mostrando o tanquinho sarado e cheio de curvas. Rogéria, a patroa, de 39 anos, doidinha pra futucar a jardineira, aproveitou o apagão mostrou e pediu ao caseiro pra dar uma roçada no gramadinho, mas foi flagrada exatamente no momento em que Erivelton se preparava para engatar o cabo do roçador na tomada. Com uma lanterna gigante na mão, Felipe, 40 anos, residente em Jaconé, marido traído inconformado, iluminou a sacanagem e saiu lanternando os dois na porrada. "Veltinho" chegou no posto de emergência com o saco da hérnia todo esbagaçadoe um profundo corte no lado esquerdo da bunda, adquirido quando voou, no escuro, por sobre uma cerca de arame farpado. Rogéria, toda roxa, lanhada e arregaçada, deu entrada no hospital com a orelha direita decepada e pendurada no brinco. Felipe, preso por dupla agressão, vai responder o processo em liberdade.

Juro que achei essas histórias muito engraçadas, deve ser a convivência com o "estilo" de vida do carioca, que já está acostumado com essas situações e até passa a achar graça.






quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sanduíche Hondurenho com recheio Brasileiro


Apesar da crescente manifestação popular em Honduras, o governo brasileiro ainda não aceitou negociar com o governo do país sobre a entrega do presidente deposto Manuel Zelaya. Alegando não reconhecer a legitimidade da gestão do presidente interino Roberto Michelleti, o Brasil pediu a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) para mediar uma resolução pacífica. Michelleti já ameaçou publicamente que irá invadir a embaixada brasileira para prender Zelaya e que, não havendo acordo, eliminará relações diplomáticas com o Brasil.


Os conflitos em Honduras começaram durante a campanha para as eleições presidenciais, quando o então presidente deposto Manuel Zelaya tentou instaurar um plebiscito para prolongar seu mandato. Para fazê-lo, Zelaya propôs uma modificação na constituição do país, ato considerado ilegal no país. Para evitar uma manobra ditatorial, Michelleti fez uso das forças armadas e declarou a prisão do político, seu companheiro de partido.

Embora o papel do Brasil na crise política hondurenha seja delimitado por uma forte crítica ao governo golpista, crescem as desconfianças por parte da população local. A contestação popular começou quando, aparentemente sem o conhecimento do presidente do Luiz Inácio “Lula” da Silva, Manuel Zelaya voltou do exílio de forma clandestina, refugiando-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa onde permanece até o momento.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Juventude Dependente, Juventude Independente

Algumas coisas não mudam e, embora incríveis, não têm nada de assustadoras: rockeiros através dos tempos continuam buscando aliar diversão e tranquilidade. Os pioneiros, nos idos de 50 e 60, queriam mostrar a cara – e o gumex no cabelo, a cintura alta, a jukebox – nas festinhas de arromba em que diriam papai e mamãe “o que deu nessas crianças?” Os 70 chegaram com a juventude transviada do movimento paz e amor. Colorido de lama, diversão e sexo livre, o tempo era movido pelo que, já prenunciava Lennon, seria Lucy in the sky with diamonds. Mais dez anos e em 80 “pouca” coisa mudaria. As festas, maiores e mais barulhentas; o sexo, mais freqüente e mais irrestrito; as drogas; mais poderosas e mais possíveis.

E se já houve tanto barulho por nada, o que esperar do segundo milênio? Tipos diferentes de droga, de gíria, de festa, ou haverá algo mais? Se me perguntarem eu posso dizer, convicto, de que as drogas não sairão de vista (de nariz, de veia, de boca). São elas uma conseqüência direta da nossa escolha por um mundo cada vez mais competitivo e envolvido no espírito capitalista. Esse é o ambiente ideal para dar vazão à necessidade de desligamento e de catarse, movimento amplamente promovido pelo uso de entorpecentes. Premissa: ou se entregar à alucinação ou estar suscetível ao tilt, como estão as máquinas que nos escravizam.

Mas olhem só, titios reacionários e defensores da idéia de juventude perdida: nenhuma delas vive só de besteira. Todas voltam e pulsam com sua poesia – anestésica? as vezes. Alienada? Nunca. Falem todos muito mal dos rockers de plantão em cada esquina, dos regueiros de fundo de quintal, dos punks sujos do metrô de são Paulo: mas a mudança que se quer ver no mundo sempre vem aí do gueto. Pra essa gente escutar um som não é só mais um passatempo. Não se vendem, nascem pra morrer assim, sempre criticando, lutando, esperando ver no mundo a revolução que já fizeram em si mesmos.

Longe de mim criticar os outros estilos musicais ou de vida mas, de fato essa juventude do rock que nasceu transgressora, com personalidade e que não tem o hábito de aceitar as coisas simplesmente, é uma “tribo” muito mais preparada para modificar o mundo, entender o sentido da existência e viver em acordo com suas filosofias e valores.

Importa se você viver 70 anos? Se o valor está em de fato aproveitar os milimétricos segundos de cada conversa, cada mesa de bar? Mas se as drogas, mulheres, jukeboxes; se algum infortúnio qualquer reduzir o tempo de estadia terrestre, há saída. Parar; olhar; escutar; num exercício de contemplação. Uma trilha sonora para cada momento corrido e, prometo, tudo fica mais interessante. 

Essa pluralidade arrasta as drogas pra um segundo e obscuro plano; os rockeiros se tornaram independentes do aditivo histórico e hoje sabem: é perfeitamente possível ser feliz trocando 12g por 12 reefs bem tocados de guitarra.Algumas coisas não mudam e, embora incríveis, não têm nada de assustadoras: rockeiros através dos tempos continuam buscando aliar diversão e tranquilidade. Os pioneiros, nos idos de 50 e 60, queriam mostrar a cara – e o gumex no cabelo, a cintura alta, a jukebox – nas festinhas de arromba em que diriam papai e mamãe “o que deu nessas crianças?” Os 70 chegaram com a juventude transviada do movimento paz e amor. Colorido de lama, diversão e sexo livre, o tempo era movido pelo que, já prenunciava Lennon, seria Lucy in the sky with diamonds. Mais dez anos e em 80 “pouca” coisa mudaria. As festas, maiores e mais barulhentas; o sexo, mais freqüente e mais irrestrito; as drogas; mais poderosas e mais possíveis.

Longe de mim criticar os outros estilos musicais ou de vida mas, de fato essa juventude do rock que nasceu transgressora, com personalidade e que não tem o hábito de aceitar as coisas simplesmente, é uma “tribo” muito mais preparada para modificar o mundo, entender o sentido da existência e viver em acordo com suas filosofias e valores.
Importa se você viver 70 anos? Se o valor está em de fato aproveitar os milimétricos segundos de cada conversa, cada mesa de bar? Mas se as drogas, mulheres, jukeboxes; se algum infortúnio qualquer reduzir o tempo de estadia terrestre, há saída. Parar; olhar; escutar; num exercício de contemplação.

Uma trilha sonora para cada momento corrido e, prometo, tudo fica mais interessante. Essa pluralidade arrasta as drogas pra um segundo e obscuro plano; os rockeiros se tornaram independentes do aditivo histórico e hoje sabem: é perfeitamente possível ser feliz trocando 12g por 12 reefs bem tocados de guitarra.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

24 horas de um brasileiro

Enquanto achamos a vida de herói norte americano um máximo, deixamos de olhar para o lado, nosso vizinho, um trabalhador transeunte. Personagem com a vida tão agitada quanto a de um seriado estrangeiro.

Os Jorges, Franciscos, e os mais conhecidos Josés, lutam diariamente contra inimigos com um poder de destruição bem maior que o de uma bomba atômica. Eles acordam, levantam, tomam seu banho antes mesmo de o sol nascer. Caprichosamente fazem a barba com sua lâmina de barbear, velha e surrada, tão antigas que poderiam estar no museu. Quase um ritual espiritual de quem se prepara para o pior, aliás o primeiro de seus piores problemas, a ausência de comida no prato seu e no de seus filhos. Quando disse que bomba atômica era menos destrutiva, me referia a fome, enfraquecendo corpos, destruindo almas, de forma silenciosa.

Triste é conhecer o que se passa na cabeça de nosso personagem, “ah já me acostumei”, isso não o impede de levantar e rumar a sua segunda batalha, como virou moda dizer “brasileiro não desiste nunca!”. Sai de casa, um bairro simples, com muitos inimigos espalhados, esses que em sua infância costumava chamar de amigos. Antes parceiros de “pelada”, hoje concorrentes na guerra desleal para ter o que comer. Alguns partiram para a margem da sociedade, transformando-se nos conhecidos marginais.

Sobrevivendo a segunda batalha, corre para o seu caminhão de combate, ou seria condução, cheio de outros guerreiros sedentos por aventuras e combates em terras distantes. Ao chegar, depara-se com um imenso sargento, de nome engraçado, Patrão. Gritando e esbravejando o sargento passa as ordens aos soldados e completa, “quem não tiver força de vontade, garra, e gastar todas as suas energias trabalhando hoje aqui, não precisará voltar amanhã”. Que força seria essa? A física, proveniente dos alimentos que a muito só restaram na memória de nosso herói. Retirando forças de onde não existia, mais um dia se completa, chega a hora de receber a esmola do dia, ou seria pagamento? No retorno do herói de guerra, no mesmo caminhão que o trouxe, o homem, mais morto do que vivo, para com o objetivo de comprar algum arroz com feijão qualquer, continuando depois uma caminhada até o formoso lar. Não desmontou nenhuma bomba para salvar o país, apenas salvou mais uma família, a sua, do abandono dos “Warlords” que de 4 em 4 anos mentem, prometendo proteção a família do guerreiro durante o combate.

Por: Leandro Kovacs