quarta-feira, 16 de abril de 2008

De Gabeira até eu

A probabilidade de alguma especulação sair do papel é mínima. Dentro do contexto observado no panorama da economia nacional, tudo que se têm é uma ampla falta de dados concretos. Por todos os lados, articulistas e cientistas políticos se revezam na disputa entre quem sabe menos e que tem menos ainda a dizer. É fato que isto não reflete a falta de competência de cada um destes profissionais, pelo contrário! Reflete sim, o extenso vazio que tem tomado conta do cenário da discussão política no país.
Não somente pela falta de alguma esperança positiva sobre os rumos que deveriam ser tomados, mas principalmente pela intima certeza se que todo novo não é mais tão novo assim. Diante das mesmas siglas partidárias, dos mesmos protestos e passeatas, da mesma desvinculação da racionalidade ética, não há muito mais o que se fazer em matéria de argumentação especulativa. Os leitores brasileiros, todos muito acostumados com o cotidiano repetitivo do panorama social e político, não têm mais o mesmo interesse pelos rumos da conscientização sobre os temas relacionados.
É difícil mensurar a gravidade operacional e funcional do problema. As editorias de política e economia travam uma ferrenha luta diária por um pouco de ar livre. Querem respirar acima da cortina de poeira e fumaça que encobre a movimentação logística dentro das residências oficiais em Brasília, São Paulo e em milhares de outras menores esferas de poder público.
Entre o lavrador mineiro ao empresário cosmopolita, fica de diferente o traço sócio-cultural; embora reste de muito semelhante a triste indiferença. A nova faceta da personalidade cultural brasileira engloba a relação entre saber/ fazer/ questionar sobre política no Brasil. Ainda que não faltem grupos, sindicatos e organizações que militem em favor de um novo contexto, qual é o real vinculo entre o brasileiro contemporâneo e o governo que “ele” elegeu?
Na realidade é muito difícil também compreender quem é este “ele” este “povo” – de lavradores e empresários – constituído da magnitude de um termo, e sem um rosto definido sob o qual atribuir a culpa. O “ele” do povo somos nós todos, mas... quem somos nós todos como povo brasileiro? Dos articulistas, de volta aos sertanejos, estamos de fato fadados ao desinteresse contínuo pelo que é Brasil nos termos atuais.
A prostração progressiva acerca do discurso ufanista é lógica e tem fundamento. Ate mesmo o panfleto de esquerda, que salvava do ostracismo muitas imagens heróicas de resistência política, hoje cai em desuso tendo em vista o que se vê fazer de canhoto no governo. A probabilidade de alguma especulação sair do papel é mínima. Cria-se então um ciclo vicioso.
Outras múltiplas possibilidades e caminhos a serem tomados, particularmente por casa cidadão visando o bem comum do social, também têm chance mínima de virarem realidade. O povo não se reconhece nada além de mesmo povo, e pela ausência de um rosto, pelo peso de uma constante culpa (quase genética), não pretende dar continuidade à utopia de Gabeiras em outras décadas. Entre a prática e a discussão política como tijolo de construção, dista um grande “ele”, um grande “povo”.

Um comentário:

Kovacs disse...

realmente continuar acreditando em "herois" do passado q pra mim naum tem nada d herois naum pode ser a solução!
essa situação atual soh gera descrença no sistema "burrocrático"